segunda-feira, 10 de junho de 2024

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL 3 ANO

 


ACESSE O LINK ABAIXO 

Segunda Guerra Mundial foi o maior conflito da humanidade, acontecendo de 1939 a 1945, em diferentes locais da Oceania, Ásia, África e Europa. Esse conflito foi travado entre Aliados (Reino Unido, França, EUA, URSS etc.) e Eixo (Itália, Alemanha, Japão etc.) e teve como consequências a morte de, aproximadamente, 60 milhões de pessoas e uma destruição material significativa.

A Segunda Guerra Mundial teve como causa direta o expansionismo da Alemanha nazista ao longo da década de 1930. O estopim para o conflito deu-se com a invasão da Polônia realizada pelos alemães, em setembro de 1939. A Segunda Guerra Mundial ficou marcada pelos horrores do Holocausto e do lançamento das bombas atômicas.

https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/segunda-guerra-mundial.htm


ATIVIDADE 


https://exercicios.mundoeducacao.uol.com.br/exercicios-historia/exercicios-sobre-segunda-guerra-mundial.htm

terça-feira, 7 de maio de 2024

quarta-feira, 6 de março de 2024

2º ano - A mineração no período colonial

 A mineração no período colonial (p. 24 a 26)

Professor: Amadeu Cardoso

"O ciclo do ouro foi o período da história brasileira em que a mineração de ouro foi a principal atividade econômica. Ocorreu no período colonial, durante quase todo o século XVIII, nas regiões de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. 

Durante o ciclo do ouro, o Brasil chegou a deter metade da produção mundial do minério. Essa riqueza fez com que muitas pessoas imigrassem de Portugal para o Brasil, aumentando drasticamente a população da colônia nesse período.

O ciclo do ouro durou apenas um século, mas modificou o Brasil, interligando diversas regiões, urbanizando o país e criando as raízes para, pouco décadas após o fim do ciclo, sua futura independência."



"Descoberta do ouro no Brasil colonial

Na sua famosa carta ao rei de Portugal, Pero Vaz de Caminha narra a cena em que dois indígenas convidados à caravela do capitão apontam para o seu colar de ouro e para a terra, dando a impressão para o escrivão de que eles queriam dizer que existia ouro na terra. A descrição mostra o interesse dos portugueses em encontrar ouro em suas “descobertas”. Contudo, logo Caminha percebeu que teve a impressão errada e que o indígena, na verdade, estava afirmando que gostaria de levar o colar para a terra.

Em carta enviada a Portugal em 1531, Francisco de Chaves afirmou ter ouvido que, na região de Cananeia, existiam veios de ouro. Em 1570, Heliodoro Heoboano encontrou ouro em Iguape, primeiro lugar onde o ouro foi explorado no Brasil. Entre 1630 e 1632, foi construída a primeira casa de fundição do Brasil, na cidade de Iguape."



"Conflitos no período do ciclo do ouro

Guerra dos Emboabas: após descobrirem as minas na região de Vila Rica, os paulistas se estabeleceram na região, extraindo seu ouro. A notícia de grandes jazidas de ouro chegou ao Nordeste e a Portugal, fazendo com que populações dessas regiões fossem para Vila Rica. Os paulistas chamaram esses forasteiros de “emboabas”, existindo duas versões para o significado do termo. A primeira, em tupi, traz o significado de “estrangeiro”. A segunda afirma que a palavra significa “aves de pernas emplumadas”. De qualquer forma, era um termo pejorativo pelo qual os paulistas chamavam seus adversários.
A partir de 1707, diversos conflitos passaram a ocorrer entre paulistas e emboabas. Esses embates duraram por dois anos e terminaram com a expulsão da maioria dos paulistas da região de minas. Os paulistas continuaram sua busca pelo ouro, chegando a Mato Grosso e Goiás. Para saber mais sobre o conflito, clique aqui.

Revolta de Filipe dos Santos ou Revolta de Vila Rica: em 1719, um decreto régio determinou a construção de uma casa de fundição em Vila Rica e o aumento da fiscalização sobre a cobrança do quinto. A notícia causou indignação em parte dos habitantes da região.
Em 1720, os colonos de Vila Rica, liderados por Filipe dos Santos, tomaram a cidade, fazendo diversas exigências ao ouvidor-mor, Martinho Vieira, e ao governador da região, Conde de Assumar. Os dois afirmaram aceitar as reivindicações dos rebeldes, desarticulando o movimento. Depois, com uma tropa de cerca de 1500 soldados, os portugueses prenderam diversos rebeldes, entre eles Filipe dos Santos, condenado à morte e executado. Para saber mais sobre o conflito, clique aqui.

Inconfidência Mineira: outro movimento revoltoso ocorrido na região mineradora foi a Inconfidência Mineira, primeiro movimento que tinha por principal objetivo emancipar de Portugal uma região do Brasil. Com o declínio da produção de ouro e a consequente diminuição da cobrança do quinto, a Coroa portuguesa criou a derrama, que seria cobrada sempre que a cobrança do quinto não atingisse 100 arrobas de ouro no ano, aproximadamente uma tonelada e meia.

Em 1789 a notícia de que a derrama seria decretada em Vila Rica levou os inconfidentes a planejarem a revolta. Inspirados nas ideais iluministas e na independência dos Estados Unidos, os inconfidentes planejavam proclamar a independência de Minas Gerais, transformando o território em uma república. Denunciados, os inconfidentes foram presos, diversos deles foram condenados à prisão ou ao degredo, e o alfares Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, foi condenado à morte. Para saber mais sobre essa revolta, clique aqui."





"Quais as consequências do ciclo do ouro?

Mudança do centro econômico para o Sudeste: no ciclo da cana-de-açúcar, o centro dinâmico da economia brasileira estava no Nordeste, onde a maior parte da produção de açúcar ocorria. Nesse período, a capital da colônia era Salvador, na Bahia. Com a crise açucareira e ascensão da mineração em Minas Gerais e no Centro-Oeste, o eixo econômico mudou para o Sudeste, onde a maior parte do ouro era produzida e por onde a quase totalidade dela era escoada para a Europa. Durante o ciclo do ouro, a capital do Brasil foi transferida para o Rio de Janeiro, em 1763.

Aumento demográfico: também foi outra consequência da mineração, que estimulou diversas outras atividades econômicas na colônia. Durante o ciclo do ouro, a população brasileira aumentou 10 vezes.
Aumento do território nacional: os bandeirantes, em busca do ouro e de diamantes, adentraram o território que, pelo Tratado de Tordesilhas, pertencia à Espanha. Povoados portugueses foram construídos no Mato Grosso e em Goiás, áreas consideradas espanholas. Em 1750 foi assinado o Tratado de Madri, em que os espanhóis reconheceram essas regiões povoadas por portugueses como de Portugal. Após a Independência, em 1822, esse território passou a fazer parte do Brasil.

Capital de giro da Revolução Industrial: em 1703, ingleses e portugueses assinaram o Tratado de Methuen. Por esse documento, as taxas alfandegárias foram zeradas para os tecidos ingleses exportados para Portugal e para os vinhos portugueses que eram vendidos para a Inglaterra. Contudo, esse tratado foi desfavorável para Portugal, que sempre tinha balança comercial deficitária com a Inglaterra. Muitos historiadores afirmam que o ouro retirado do Brasil pelos portugueses foi parar na Inglaterra, sendo uma das fontes de recursos utilizados para o início da Revolução Industrial."





terça-feira, 5 de março de 2024

3º ano - CIÊNCIAS HUMANAS PARA O ENEM

 E.E.M.T.I. FRANKLIN TÁVORA

TEMA: DITADURA CIVIL-MILITAR BRASILEIRA (1964-1985)

PROFESSOR: AMADEU CARDOSO



COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE, ACESSE:  



Apoio dos Estados unidos

Um motivo importante para a obtenção desse apoio foi a adoção, pelos militares brasileiros, de um conjunto de princípios conhecidos como Doutrina de Segurança Nacional – elaborada pelos EUA e desenvolvida pela Escola Superior de Guerra. De acordo com essa doutrina, o governo brasileiro assumia o compromisso de combater as ideias socialistas e/ou comunistas.


Escalada autoritária

Ato Institucional no 2 – editado em outubro de 1965, conferia mais poderes ao presidente da República para cassar mandatos e direitos políticos. Além disso, estabelecia a eleição indireta para presidente e extinguia todos os partidos políticos existentes. 

Ato Institucional no 3 – de fevereiro de 1966, estabelecia o fim das eleições diretas para prefeitos das capitais e governadores. A partir de então, os governadores seriam indicados pelo presidente da República e submetidos à aprovação das Assembleias Legislativas. Os prefeitos seriam indicados pelos governadores. 

Ato Institucional no 4 – de dezembro de 1966, dava ao governo poderes para elaborar uma nova Constituição, com o objetivo de incorporar a legislação criada pelo regime militar. Em 24 de janeiro de 1967, foi promulgada uma nova Constituição, que fortalecia o poder do presidente da República e enfraquecia o Legislativo e o Judiciário. 

Lei de Segurança Nacional – promulgada em março de 1967, tornou-se, na prática, o instrumento jurídico destinado a enquadrar como inimigos da pátria aqueles que, muitas vezes em nome dela, se opunham às diretrizes do governo. 

Bipartidarismo 



FECHAMENTO POLÍTICO

Em setembro de 1968, o deputado Márcio Moreira Alves, do MDB, fez um discurso veemente contra os militares no Congresso Nacional, responsabilizando-os pela violência policial praticada contra os estudantes e outros grupos. Ele propôs à população boicotar a parada militar de 7 de setembro. Oficiais militares consideraram o discurso ofensivo à honra das Forças Armadas e exigiram que o deputado fosse processado. Devido à imunidade parlamentar dos deputados, para processá-lo era necessária uma autorização da Câmara Federal. O ministro da Justiça solicitou, então, ao Congresso licença para entrar com uma ação contra Moreira Alves, mas a Câmara Federal negou- -se a conceder tal autorização.

ATO INSTITUTCIONAL Nº 5.

A resistência dos parlamentares provavelmente serviu de pretexto para os setores militares que pretendiam endurecer ainda mais o regime.

Em dezembro de 1968, o governo determinou o fechamento do Congresso por tempo ilimitado e a cassação do mandato do deputado Márcio Moreira Alves e de outros parlamentares. Também decretou o Ato Institucional no 5 (AI-5), um dos mais terríveis instrumentos normativos lançados pelo regime militar. Era o fechamento político, defendido pela “linha dura” do comando militar.

A CENSURA

https://www.youtube.com/watch?v=LPmHHH1rBh4

A TORTURA

DEPOIMENTO DILMA RUSSEF

Disponível: https://www.youtube.com/watch?v=FupRtchCB1A


Depoimentos de mulheres que foram torturadas na DITADURA CIVIL-MILITAR BRASILEIRA

Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto. Na sala do delegado Fleury, num papelão, uma caveira desenhada e, embaixo, as letras EM, de Esquadrão da Morte. Todos deram risada quando entrei. ‘Olha aí a Miss Brasil. Pariu noutro dia e já está magra, mas tem um quadril de vaca’, disse ele. Um outro: ‘Só pode ser uma vaca terrorista’. Mostrou uma página de jornal com a matéria sobre o prêmio da vaca leiteira Miss Brasil numa exposição de gado. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Picou a página do jornal e atirou em mim. Segurei os seios, o leite escorreu. Ele ficou olhando um momento e fechou o vestido. Me virou de costas, me pegando pela cintura e começaram os beliscões nas nádegas, nas costas, com o vestido levantado. Um outro segurava meus braços, minha cabeça, me dobrando sobre a mesa. Eu chorava, gritava, e eles riam muito, gritavam palavrões. Só pararam quando viram o sangue escorrer nas minhas pernas. Aí me deram muitas palmadas e um empurrão. Passaram-se alguns dias e ‘subi’ de novo. Lá estava ele, esfregando as mãos como se me esperasse. Tirou meu vestido e novamente escondi os seios. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. No meio desse terror, levaram-me para a carceragem, onde um enfermeiro preparava uma injeção. Lutei como podia, joguei a latinha da seringa no chão, mas um outro segurou-me e o enfermeiro aplicou a injeção na minha coxa. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’. ‘E se não melhorar, vai para o barranco, porque aqui ninguém fica doente.’ Esse foi o começo da pior parte. Passaram a ameaçar buscar meu fillho. ‘Vamos quebrar a perna’, dizia um. ‘Queimar com cigarro’, dizia outro.

ROSE NOGUEIRA, ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), era jornalista quando foi presa em 4 de novembro de 1969, em São Paulo (SP). Hoje, vive na mesma cidade, onde é jornalista e defensora dos direitos humanos.

 Eram mais ou menos 2 horas da manhã quando chegaram à fazenda dos meus sogros em Nova Aurora. A cidade era pequena e foi tomada pelo Exército. Mobilizaram cerca de setecentos homens para a operação. Eu, meu companheiro e os pais dele fomos torturados a noite toda ali, um na frente do outro. Era muito choque elétrico. Fomos literalmente saqueados. Levaram tudo o que tínhamos: as economias do meu sogro, a roupa de cama e até o meu enxoval. No dia seguinte, fomos transferidos para o Batalhão de Fronteira de Foz do Iguaçu, onde eu e meu companheiro fomos torturados pelo capitão Júlio Cerdá Mendes e pelo tenente Mário Expedito Ostrovski. Foi pau de arara, choques elétricos, jogo de empurrar e, no meu caso, ameaças de estupro. Dias depois, chegaram dois caras do Dops do Rio, que exibiam um emblema do Esquadrão da Morte na roupa, para ‘ajudar’ no interrogatório. Eu fi cava horas numa sala, entre perguntas e tortura física. Dia e noite. Eu estava grávida de dois meses, e eles estavam sabendo. No quinto dia, depois de muito choque, pau de arara, ameaça de estupro e insultos, eu abortei. Depois disso, me colocaram num quarto fechado, fiquei incomunicável. Durante os dias em que fi quei muito mal, fui cuidada e medicada por uma senhora chamada Olga. Quando comecei a melhorar, voltaram a me torturar. Nesse período todo, eu fui insultadíssima, a agressão moral era permanente. Durante a noite, era um pânico quando eles vinham anunciar que era hora da tortura. Quando você começava a se recompor, eles iniciavam a tortura de novo, principalmente depois que chegaram os caras do Dops. Durante anos, eu tive insônia, acordava durante a noite transpirando. De Foz, fomos levados para o Dops de Porto Alegre, onde houve outras sessões de tortura, um na frente do outro. Depois, fomos levados de volta para Curitiba, onde fiquei na penitenciária de Piraquara. Quando fi nalmente fui para a prisão domiciliar, que durou quatro meses, eu sofri muito, fui muito perseguida e ameaçada. Recebia telefonemas anônimos, passava noites sem dormir.

IZABEL FÁVERO, ex-militante da VAR-Palmares, era professora quando foi presa em 5 de maio de 1970, em Nova Aurora (PR). Hoje, vive no Recife (PE), onde é professora de Administração da Faculdade Santa Catarina.

 Teve uma tortura que aconteceu na véspera do Sete de Setembro. Sei que foi esse dia porque a gente escutava o ensaio das bandas. Me levaram para uma sala com acústica de madeira. Tocava uma música de enlouquecer. Era um som como se estivessem arranhando a parede. A música foi aumentando cada vez mais. Quando eu saí de lá, minha cabeça estava latejando. Por pouco eu não enlouqueci. Lá no DOI-Codi, todo dia eu ia para o interrogatório, e as torturas eram de todas as formas, como na cadeira do dragão, e sempre nua. E eles ameaçavam as pessoas que a gente conhecia. Um dia me chamaram e eu vi o Paulo [Stuart Wright] encapuzado. Reconheci-o pelo terno que ele estava usando, que fui eu quem tinha dado para ele, e também pela voz. Os torturadores falavam muito das presas, ridicularizavam, gritando para você ouvir. Eram coisas libidinosas, como do tamanho da vagina de uma pessoa que eu conhecia. Uma vez, eles me chamaram para um interrogatório com um homem negro que diziam ser um psicólogo. Isso foi muito tocante para mim, porque é claro que chamaram um homem negro para eu me sentir identifi cada. Um dia, eles me chamaram no pátio e lá estava o satanás encarnado, o capitão Ubirajara [codinome do delegado de polícia Laerte Aparecido Calandra], apoiado num carro, e um outro ao lado dele em pé, e um bando de homens do outro lado. Ele me pôs para marchar na frente dele, para lá e para cá, para lá e para cá durante um bom tempo. E os homens falando: ‘Ô negra feia. Isso aí devia estar é no fogão. Negra horrorosa, com esse barrigão. Isso aí não serve nem para cozinhar. Isso aí não precisava nem comer com essa banhona, negra horrorosa’. E eu tendo de marchar. Imagine só, rebaixar o ser humano a esse ponto...

MARIA DIVA DE FARIA era enfermeira quando foi presa em 5 de setembro de 1973, em São Paulo (SP). Hoje, vive na mesma cidade e é aposentada.

 

Ele me disse: ‘Se você sair viva daqui, o que não vai acontecer, você pode me procurar no futuro. Eu sou o chefe, sou o Jesus Cristo [codinome do delegado de polícia Dirceu Gravina]’. Ele falava isso e virava a manivela para me dar choque. Ele também dizia: ‘Que militante de direitos humanos coisa nenhuma, nada disso, vocês estão envolvidos’. E virava a manivela. Havia umas ameaças assim: ‘Vamos prender todos os advogados de direitos humanos, colocá-los num avião e soltar na Amazônia’. Nos outros interrogatórios, eles perguntavam qual era a minha opção política, o que eu pensava, quem pagava os meus honorários, quais eram os meus contatos no exterior, o que eu pensava do comunismo. Para mim, fi cou muito claro que eles queriam atemorizar advogado de preso político. Havia uma mudança no tom das equipes. Eram três, e ia piorando. Durante o interrogatório da segunda equipe, eu levei uma bofetada de um e o outro me segurou: ‘Está bravinha porque levou uma bofetada?’. E os homens da terceira equipe diziam: ‘Saia disso, onde já se viu defender esses caras, gente perigosíssima, não se meta nisso!’. Eu estava formada havia menos de um ano, e trabalhava desde o segundo ano no escritório do advogado José Carlos Dias, defendendo presos políticos. Essa era a forma que eu tinha de resistir à ditadura militar, foi minha opção de participação na resistência. Eu fui presa sem nenhuma acusação, fiquei três dias lá sem saber porque estava presa. No terceiro ou quarto dia, eu descobri o motivo: teriam achado num ‘aparelho’ um manuscrito do Carlos Eduardo Pires Fleury, que tinha sido banido do país e que foi meu colega e cliente no escritório. Eu não fui das mais torturadas. Levei choque uma manhã inteira, acho que para saber se eu tinha algum envolvimento com alguma organização clandestina e paraque os advogados soubessem que não era fácil para quem militava.

MARIA LUIZA FLORES DA CUNHA BIERRENBACH era advogada de presos políticos quando foi presa em 8 de novembro de 1971, em São Paulo (SP). Hoje, vive na mesma cidade, onde é procuradora do Estado aposentada.

 Muitos deles vinham assistir para aprender a torturar. E lá estava eu, uma mulher franzina no meio daqueles homens alucinados, que quase babavam. Hoje, eu ainda vejo a cara dessas pessoas, são lembranças muito fortes. Eu vejo a cara do estuprador. Era uma cara redonda. Era um homem gordo, que me dava choques na vagina e dizia: ‘Você vai parir eletricidade’. Depois disso, me estuprou ali mesmo. Levei muitos murros, pontapés, passei por um corredor polonês. Fiquei um tempão amarrada num banco, com a cabeça solta e levando choques nos dedos dos pés e das mãos. Para aumentar a carga dos choques, eles usavam uma televisão, mudando de canal, ‘telefone’, velas acesas, agulhas e pingos de água no nariz, que é o único trauma que permaneceu até hoje. Em todas as vezes em que eu era pendurada, eu fi cava nua, amarrada pelos pés, de cabeça para baixo, enquanto davam choques na minha vagina, boca, língua, olhos, narinas. Tinha um bastão com dois pontinhos que eles punham muito nos seios. E jogavam água para o choque fi car mais forte, além de muita porrada. O estupro foi nos primeiros dias, o que foi terrível para mim. Eu tinha de lutar muito para continuar resistindo. Felizmente, eu consegui. Só que eu não perco a imagem do homem. É uma cena ainda muito presente. Depois do estupro, houve uma pequena trégua, porque eu estava desfalecida. Eles tinham aplicado uma injeção de pentotal, que chamavam de ‘soro da verdade’, e eu estava muito zonza. Eles tiveram muito ódio de mim porque diziam que eu era macho de aguentar. Perguntavam quem era meu professor de ioga, porque, como eu estava aguentando muito a tortura, na cabeça deles eu devia fazer ioga. Me tratavam de ‘puta’, ‘ordinária’. Me tratavam como uma pessoa completamente desumana. Eu também os enfrentei muito. Com certa tranquilidade, eu dizia que eles eram seres anormais, que faziam parte de uma engrenagem podre. Eu me sentia fortalecida com isso, me achava com a moral mais alta.

DULCE MAIA, ex-militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), era produtora cultural quando foi presa na madrugada de 26 de janeiro de 1969, em São Paulo (SP).Hoje, vive em Cunha (SP), é ambientalista, dirige a ONG Ecosenso e é cogestora do Parque Nacional da Serra da Bocaina.

 Quando fui presa, minha barriga de cinco meses de gravidez já estava bem visível. Fui levada à delegacia da Polícia Federal, onde, diante da minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles, comecei a ouvir, sob socos e pontapés: ‘Filho dessa raça não deve nascer’. Depois, fui levada ao Pelotão de Investigação Criminal (PIC), onde houve ameaças de tortura no pau de arara e choques. Dias depois, soube que Paulo também estava lá. Sofremos a tortura dos ‘refl etores’. Eles nos mantinham acordados a noite inteira com uma luz forte no rosto. Fomos levados para o Batalhão de Polícia do Exército do Rio de Janeiro, onde, além de me colocarem na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui submetida à ‘tortura cientifi ca’, numa sala profusamente iluminada. A pessoa que interrogava ficava num lugar mais alto, parecido com um púlpito. Da cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios. As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis: calor, frio, asfi xia. De lá, fui levada para o Hospital do Exército e, depois, de volta à Brasília, onde fui colocada numa cela cheia de baratas. Eu estava muito fraca e não conseguia fi car nem em pé nem sentada. Como não tinha colchão, deitei-me no chão. As baratas, de todos os tamanhos, começaram a me roer. Eu só pude tirar o sutiã e tapar a boca e os ouvidos. Aí, levaram-me ao hospital da Guarnição em Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia. Foi uma experiência muito difícil, mas fiquei firme e não chorei. Depois disso, ficavam dizendo que eu era fria, sem emoção, semsentimentos. Todos queriam ver quem era a ‘fera’ que estava ali

HECILDA FONTELLES VEIGA, ex-militante da Ação Popular (AP), era estudante de Ciências Sociais quando foi presa, em 6 de outubro de 1971, em Brasília (DF). Hoje, vive em Belém (PA), onde é professora do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Pará (UFPA).








Crise econômica


Quer saber mais?

Cruz, F. de S. (2022). Estudo da Ditadura Militar no Novo Ensino Médio: uma janela real para o tempo presente. Boletim Do Tempo Presente, 11(06), 01–15. Recuperado de https://periodicos.ufs.br/tempopresente/article/view/17883

 Acesso em: 12 jan 2024 ▪ https://memoriasdaditadura.org.br/#historia-da-ditadura 

http://memoriasdasditaduras.com.br/ 

https://wordwall.net/pt/resource/34391258/ditadura-militar

 ▪ Filme: Cabra marcado para morrer (1984) https://www.youtube.com/watch?v=O0wrtiA Qtm


QUESTÕES


QUESTÃO 1 - (Enem 2023) No cemitério, a sociedade religiosa encarregada do funeral, aterrorizada, apressou a cerimônia de tal forma que a mãe de Herzog perdeu o momento em que o caixão do filho começou a ser coberto pela terra. Quatro jornalistas que estavam presos no DOI chegaram para assistir ao sepultamento. Um se afastara, chorando. Dizia: Eles matam, eles matam! Não pergunte nada. Não podemos dizer nada. Eles matam mesmo. Falava-se baixo. Ouviram-se dois curtos discursos. O primeiro, da atriz Ruth Escobar: Até quando vamos suportar tanta violência? Até quando vamos continuar enterrando nossos mortos em silêncio? No segundo, Audálio Dantas recitou o Navio negreiro, de Castro Alves: Senhor Deus dos desgraçados / Dizei-me Vós, Senhor Deus / Se é mentira, se é verdade, / Tanto horror perante os céus. 

GASPARI, E. A ditadura encurralada. São Paulo: Cia. das Letras, 2004.


O acontecimento descrito no texto, ocorrido em meados dos anos 1970, atesta a seguinte característica do regime político-institucional vigente: 

a) incorporação da estética popular para justificar o ideal de integração nacional. 

b) afirmação da estratégia psicossocial para favorecer o objetivo de propaganda cívica. 

c) institucionalização de mecanismos repressivos para eliminar os focos de resistência. 

d) adoção de cerimoniais públicos para controlar as manifestações de grupos opositores. e) estatização de meios de comunicação para selecionar a divulgação de atos governamentais.  



1º ANO _ GÊNERO E DIVERSIDADE

 GÊNERO E DIVERSIDADE

PROFESSOR: AMADEU CARDOSO


INSTITUTO MARIA DA PENHA

https://www.youtube.com/watch?v=h14VX2QiYj0

https://www.institutomariadapenha.org.br/


ANTRA

https://antrabrasil.org/assassinatos/


PORTAL GELEDÉS

https://www.geledes.org.br/questoes-de-genero/


segunda-feira, 4 de março de 2024

2º ANO - Água doce: um futuro de escassez?

 E.E.M.T.I. FRANKLIN TÁVORA


2º ANO A/B/C/D

PROFESSOR: AMADEU CARDOSO

Na Ásia, em África ou na América Latina ainda não resolveram a questão pendente do acesso à água potável. Estima-se que até ao ano 2025, 1800 milhões de pessoas vão viver em locais com escassez absoluta de água. A agricultura é a atividade económica que requer mais água.

PLANETA TERRA


Acesse o vídeohttps://www.youtube.com/watch?v=HuREhmX89PM


O problema da escassez de água no mundo


A escassez de água no mundo é agravada em virtude da desigualdade social e da falta de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais. De acordo com os números apresentados pela ONU – Organização das Nações Unidas – fica claro que controlar o uso da água significa deter poder.

As diferenças registradas entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento chocam e evidenciam que a crise mundial dos recursos hídricos está diretamente ligada às desigualdades sociais.

Em regiões onde a situação de falta d’água já atinge índices críticos de disponibilidade, como nos países do Continente Africano, onde a média de consumo de água por pessoa é de dezenove metros cúbicos/dia, ou de dez a quinze litros/pessoa. Já em Nova York, há um consumo exagerado de água doce tratada e potável, onde um cidadão chega a gastar dois mil litros/dia.

Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. A irrigação corresponde a 73% do consumo de água, 21% vai para a indústria e apenas 6% destina-se ao consumo doméstico.

Um bilhão e 200 milhões de pessoas (35% da população mundial) não têm acesso a água tratada. Um bilhão e 800 milhões de pessoas (43% da população mundial) não contam com serviços adequados de saneamento básico. Diante desses dados, temos a triste constatação de que dez milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas pela água.

Vivemos num mundo em que a água se torna um desafio cada vez maior.

A cada ano, mais 80 milhões de pessoas clamam por seu direito aos recursos hídricos da Terra. Infelizmente, quase todos os 3 bilhões (ou mais) de habitantes que devem ser adicionados à população mundial no próximo meio século nascerão em países que já sofrem de escassez de água.

Já nos dias de hoje, muitas pessoas nesses países carecem do líquido para beber, satisfazer suas necessidades higiênicas e produzir alimentos.

Numa economia mundial cada vez mais integrada, a escassez de água cruza fronteiras, podendo ser citado com exemplo o comércio internacional de grãos, onde são necessárias 1.000 toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, sendo a importação de grãos a maneira mais eficiente para os países com déficit hídrico importarem água.

Calcula-se a exaustão anual dos aqüíferos em 160 bilhões de metros cúbicos ou 160 bilhões de toneladas.

Tomando-se uma base empírica de mil toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, esses 160 bilhões de toneladas de déficit hídrico equivalem a 160 milhões de toneladas de grãos, ou metade da colheita dos Estados Unidos.

Os lençóis freáticos estão hoje caindo nas principais regiões produtoras de alimentos:

  • a planície norte da China;
  • o Punjab na Índia e
  • o sul das Great Plains dos Estados Unidos, que faz do país o maior exportador mundial de grãos.

A extração excessiva é um fenômeno novo, em geral restrito a última metade do século.

Só após o desenvolvimento de bombas poderosas a diesel ou elétricas, tivemos a capacidade de extrair água dos aqüíferos com uma rapidez maior do que sua recarga pela chuva.

Além do crescimento populacional, a urbanização e a industrialização também ampliam a demanda pelo produto. Conforme a população rural, tradicionalmente dependente do poço da aldeia, muda-se para prédios residenciais urbanos com água encanada, o consumo de água residencial pode facilmente triplicar.

A industrialização consome ainda mais água que a urbanização. A afluência (concentração populacional), também, gera demanda adicional, à medida que as pessoas ascendem na cadeia alimentícia e passam a consumir mais carne bovina, suína, aves, ovos e laticínios, consomem mais grãos.

Se os governos dos países carentes de água não adotarem medidas urgentes para estabilizar a população e elevar a produtividade hídrica, a escassez de água em pouco tempo se transformará em falta de alimentos.

Estes governos não podem mais separar a política populacional do abastecimento de água.

Da mesma forma que o mundo voltou-se à elevação da produtividade da terra há meio século, quando as fronteiras agrícolas desapareceram, agora também deve voltar-se à elevação da produtividade hídrica.

O primeiro passo em direção a esse objetivo é eliminar os subsídios da água que incentivam a ineficiência.

O segundo passo é aumentar o preço da água, para refletir seu custo. A mudança para tecnologias, lavouras e formas de proteína animal mais eficientes em termos de economia de água proporciona um imenso potencial para a elevação da produtividade hídrica. Estas mudanças serão mais rápidas se o preço da água for mais representativo que seu valor.

Com esta conscientização cada vez mais crescente, cada nação vem se preparando ao longo do tempo para a valorização e valoração de seus recursos naturais.

Fonte: https://cetesb.sp.gov.br/aguas-interiores/tpos-de-agua/o-problema-da-escasez-de-agua-no-mundo/


De acordo com a ONU, o Brasil tem cerca de 10% das reservas totais de água doce do mundo. Elas estão distribuídas na imensa rede hidrográfica e, em grande quantidade, nas águas subterrâneas. 
O Informe Anual da Agência Nacional de Águas (ANA), de 2018, destaca que a água, no Brasil, é utilizada em maior abundância para irrigação, abastecimento humano e animal, indústria, geração de energia, mineração, aquicultura, navegação, turismo e lazer. Deve-se considerar para uso da água a seguinte classificação: retirada, consumo e retorno. A retirada corresponde ao total de água captada para uso em determinado fim. O retorno corresponde à quantidade de água que retorna, como os esgotos decorrentes do abastecimento humano, e o consumo refere-se à água que não retorna, ou seja, é a diferença entre a retirada e o retorno. Observe, no gráfico acima, as demandas por finalidade no Brasil, em 2017.


ENEM

1. (ENEM) A falta de água doce no Planeta será, possivelmente, um dos mais graves problemas deste século. Prevê-se que, nos próximos vinte anos, a quantidade de água doce disponível para cada habitante será drasticamente reduzida. Por meio de seus diferentes usos e consumos, as atividades humanas interferem no ciclo da água, alterando:

a) a quantidade total, mas não a qualidade da água disponível no Planeta. 
b) a qualidade da água e sua quantidade disponível para o consumo das populações. 
c) a qualidade da água disponível, apenas no subsolo terrestre. d) apenas a disponibilidade de água superficial existente nos rios e lagos. 
e) o regime de chuvas, mas não a quantidade de água disponível no Planeta.



O IMPACTO DA POLUIÇÃO DA ÁGUA

 ACESSE O INFOGRÁFICO


ATIVIDADE

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