SOCIOLOGIA
Professor: Amadeu Cardoso
Turma: 3º ano A/B/C/D
TEMA: Os humanos e a linguagem: a Linguagem e cultura
PRIMEIRAS PALAVRAS
Entre 2013 e 2015, o número de haitianos matriculados na rede de educação pública estadual de São Paulo cresceu 13 vezes. A maioria desses alunos fala apenas créole
e francês. Além da dificuldade com a língua, eles se depararam com o desafio de toda
criança que muda de escola pela primeira vez: fazer novos amigos e se enturmar. Muitas
vezes, no entanto, estrangeiros são vítimas de preconceito e violência quando chegam a
um país que tem uma tradição cultural diferente da sua.
Acesse: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/04/02/no-de-imigrantes-cresce-18percent-na-rede-estadual-de-escolas-de-sp.ghtml
A palavra cultura tem diversas origens e usos. Entretanto, para a Sociologia, ela é a
base sobre a qual as sociedades humanas constroem seus diferentes modos de vida. É por
meio da cultura que buscamos soluções para nossos problemas cotidianos, interpretamos
a realidade que nos cerca e produzimos novas formas de interação social. A maneira pela
qual estruturamos a economia, nossas formas de organização política, as normas e os
valores que orientam nossas ações, todos esses elementos estão presentes na cultura.
Por sua vez, a cultura é resultado das nossas ações sociais. As práticas, os saberes e sua
aplicação pela coletividade resultam num conjunto de conhecimentos que orientam
nossa ação no mundo e nos permitem reconhecer, explicar e construir a realidade social.
Porém, a construção da cultura não ocorre de maneira harmônica e igualitária. Ela é
marcada por conflitos e relações desiguais entre os diversos grupos humanos. Por exemplo,
quando exaltamos a diversidade cultural brasileira, não podemos nos esquecer de que boa
parte da cultura popular sofre preconceito e
que os processos históricos que geraram essas
expressões culturais foram e são marcados
por conflitos nos quais negros, mulheres,
nordestinos, indígenas, quilombolas, comunidades ribeirinhas e outras minorias sociais
são geralmente considerados cidadãos de
segunda classe e suas contribuições para a
formação da cultura são relegadas a um plano
inferior. Entretanto, a história nos mostra que,
diante de interesses políticos e comerciais, as
classes dominantes incorporaram essas práticas, saberes e costumes ao padrão cultural
estabelecido.
Uma forma de perceber como esse processo de construção
da cultura ocorre no cotidiano é pensar sua realidade como
estudante. Os conhecimentos, as normas, os valores e as ações
pedagógicas com que você interage no espaço escolar são
produzidos em contextos históricos específicos e por grupos
que têm interesse em sua formação. Muitas vezes, os saberes
que você traz para a escola ou sua experiência de vida e sua
realidade social são ignorados no processo educativo. Assim,
sua formação e a maneira como você constrói suas opiniões e
como age em seu dia a dia, os comportamentos com os quais
se identifica, entre tantas outras coisas, podem não representar
o modo como os grupos dos quais você faz parte representam
a realidade.
Isso se relaciona, entre outros aspectos, às ideologias dominantes em nossa sociedade. Cada grupo ou coletividade constrói
sua visão de mundo com base em contextos históricos e práticas
sociais específicas. Desse processo surgem interpretações e propostas de ação que são difundidas socialmente com a pretensão
de se tornarem o padrão geral a ser seguido. Quando isso ocorre,
estamos diante do que chamamos ideologia. Nesse sentido, a
ideologia pode ser compreendida como o conjunto de visões de
mundo produzidas por determinados grupos sociais, propostas como modelos destinados
a orientar as práticas de outros grupos sociais ou da sociedade na qual se inserem.
A escola tradicional é um veículo para a difusão da ideologia dominante, e, por isso,
há uma desvalorização da cultura popular, que propõe outras formas de pensar e de agir
no mundo. Por essa razão, várias práticas e vários saberes que não pertencem ou não
interessam às classes dominantes foram historicamente desconsiderados pela escola.
Cultura e ideologia são conceitos que explicam a relação intrínseca entre pensamento
e ação. Diferentes contextos modelam nossas escolhas pessoais. Na atualidade, a expansão das novas tecnologias da informação e da comunicação (TICs) é mais um elemento
a interferir em nossas opções de vida. Produzidas com base em uma dinâmica social que
envolve diversos interesses econômicos, sociais e políticos, essas tecnologias provocam
transformações no modo pelo qual os diferentes atores sociais agem e se percebem no
mundo. Por outro lado, o modo como indivíduos e coletividades se apropriam dessas
tecnologias pode gerar novas interpretações da realidade, capazes de alterar o sentido e
a utilização original planejada por aqueles que incentivaram sua difusão.
O QUE É CULTURA?
Cultura e vida social
Perceber os múltiplos significados e usos da cultura é um dos modos de constatar
sua importância. Em sua origem latina, cultura deriva de colere, que significa cuidar, cultivar, podendo também adquirir um sentido ligado à saúde fisiológica (cuidar do corpo),
à religião (cultuar uma divindade) ou ainda à produção de alimentos (agricultura). O uso
do termo é, portanto, dinâmico e adquire sentidos diversos de acordo com o contexto
social e histórico. Numa definição sociológica básica, a cultura consiste no conjunto de
práticas, saberes, normas e valores de uma coletividade, servindo de fundamento para
as relações sociais nela estabelecidas.
Cultura como juízo de valor e como
produção social
Para entender esses diversos significados, devemos atentar para algumas formas de utilização do termo presentes em
nossa sociedade. A primeira delas é a relação entre cultura e
educação. Quando afirmamos que “uma pessoa tem muita
cultura”, o termo está sendo utilizado no sentido de educação
formal ou acadêmica.
Nesse aspecto, relacionamos cultura a uma hierarquização
dos indivíduos e grupos. Essa, porém, é uma utilização típica
do senso comum. As Ciências Sociais compreendem diferentes
formas de inserção na cultura, tendendo a descartar qualquer
hierarquização que resulte na discriminação de pessoas ou
grupos sociais.
Tal como acontece com o personagem Jeca Tatu, de Monteiro
Lobato, o habitante das zonas rurais foi muitas vezes apontado
como alguém preguiçoso e apático, o que exemplifica um modo
preconceituoso de tipificar a cultura sertaneja, apresentada como
inferior à cultura urbana. Esse é um exemplo de cultura utilizada
como critério de valor. Ainda hoje, muitas manifestações da
cultura brasileira são tratadas desse modo, sobretudo quando
têm origem em grupos socialmente marginalizados.
Por outro lado, a cultura é pensada como práticas e valores
de um grupo social, na sua dimensão material e imaterial, como
patrimônio a ser preservado e transmitido. Nesse contexto, não
há atribuição de superioridade de uma expressão cultural sobre
outra. A ideia de cultura fundamenta a construção de teorias
sociais que nos permitem compreender os conflitos culturais e
a construção de uma crítica à dominação cultural que historicamente destruiu diversas sociedades e grupos sociais.
Cultura e ideologia
A análise dos fenômenos sociais de nosso cotidiano nos permite perceber a mútua
influência entre cultura e ideologia, seja no modo pelo qual os grupos e as classes sociais
expressam, em práticas e saberes, sua compreensão e sua trajetória no mundo, seja na
forma pela qual essa trajetória é interpretada e valorizada socialmente.
Em cada momento e contexto sócio-histórico, determinados padrões de comportamento são valorizados e outros tratados como secundários ou até rejeitados. Essa condição
depende da relação estabelecida entre os diversos conjuntos de indivíduos no processo
de interação social. Tal processo é marcado pelos interesses distintos de cada um desses
grupos e pela tentativa das classes dominantes de tornar seus modelos referência para
as demais classes.
Desse modo, a relação entre as diversas expressões da cultura, os grupos sociais que as
desenvolvem, seu reconhecimento social e a relação dessas manifestações com o modo
de produção capitalista representam como, em nossa sociedade, as relações entre cultura
e ideologia são construídas e efetivadas nas relações sociais.
Uma manifestação cultural de origem popular como o funk carioca pode ser caracterizada como expressão social de parcela das classes dominadas da sociedade brasileira.
Apesar da origem estadunidense, o funk foi ressignificado pelas populações da periferia
das metrópoles brasileiras, que dele se apropriaram, e se tornou uma de suas referências
na construção da identidade social.
Por causa dessa origem popular, o funk é frequentemente visto como uma manifestação cultural de menor valor. Aqueles que dançam ou cantam suas músicas
sofrem preconceito e discriminação, pois praticam
uma arte considerada inadequada para os padrões
dominantes. Muitas vezes, o funk também é associado à criminalidade e até mesmo proibido pelas
autoridades policiais. ( CRIMINALIZAÇÃO DO FUNK) - FUNK FAZ SUCESSO NO MUNDO
Entretanto, como gera retorno financeiro significativo, em determinados contextos esse tipo
de expressão musical é encampado pelos meios de
comunicação de massa e se torna uma mercadoria
difundida socialmente. O caso do funk mostra como
a cultura (práticas, saberes, valores) está sempre articulada com a ideologia (interpretação, compreensão,
difusão de ideias) e com os interesses econômicos
dominantes.
As diversas faces da cultura
A cultura é produção humana e não pode ser
hierarquizada, pois não é possível justificar qual seria o padrão cultural a ser tomado como critério de
diferenciação. Dizer que determinada prática cultural
tem mais valor que outra é afirmar o etnocentrismo.
Porém, isso não significa que não possamos relacionar
a produção cultural com os grupos que as geraram.
Sendo assim, é possível afirmar que a cultura possui
diversas faces, que, em grande medida, representam
os grupos, sujeitos e contextos dos quais surgiram.
Chamamos cultura erudita as práticas, os costumes e os saberes produzidos pelas elites ou para
elas. Normalmente, tais práticas e saberes estão
relacionados à produção cultural das classes dominantes, que procura se distinguir do que é produzido
pelas outras classes.
A cultura popular, por sua vez, refere-se às
práticas, aos costumes e aos saberes que têm sua
origem nas classes dominadas ou populares. Representa o conjunto de manifestações culturais cuja
origem remete às experiências cotidianas daqueles
que não pertencem às classes dominantes. Se afirmamos que a cultura erudita está ligada à cultura
oficial, institucionalizada, devemos entender que a
cultura popular expressa o saber não oficial, ou não
institucionalizado.
Acesse: ACESSE AQUI URGENTE
Por que o Funk é criminalizado?
https://www.politize.com.br/criminalizacao-funk/
O QUE É CULTURA ERUDITA?
O QUE É CULTURA POPULAR?