segunda-feira, 4 de março de 2024

2º ANO - Água doce: um futuro de escassez?

 E.E.M.T.I. FRANKLIN TÁVORA


2º ANO A/B/C/D

PROFESSOR: AMADEU CARDOSO

Na Ásia, em África ou na América Latina ainda não resolveram a questão pendente do acesso à água potável. Estima-se que até ao ano 2025, 1800 milhões de pessoas vão viver em locais com escassez absoluta de água. A agricultura é a atividade económica que requer mais água.

PLANETA TERRA


Acesse o vídeohttps://www.youtube.com/watch?v=HuREhmX89PM


O problema da escassez de água no mundo


A escassez de água no mundo é agravada em virtude da desigualdade social e da falta de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais. De acordo com os números apresentados pela ONU – Organização das Nações Unidas – fica claro que controlar o uso da água significa deter poder.

As diferenças registradas entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento chocam e evidenciam que a crise mundial dos recursos hídricos está diretamente ligada às desigualdades sociais.

Em regiões onde a situação de falta d’água já atinge índices críticos de disponibilidade, como nos países do Continente Africano, onde a média de consumo de água por pessoa é de dezenove metros cúbicos/dia, ou de dez a quinze litros/pessoa. Já em Nova York, há um consumo exagerado de água doce tratada e potável, onde um cidadão chega a gastar dois mil litros/dia.

Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. A irrigação corresponde a 73% do consumo de água, 21% vai para a indústria e apenas 6% destina-se ao consumo doméstico.

Um bilhão e 200 milhões de pessoas (35% da população mundial) não têm acesso a água tratada. Um bilhão e 800 milhões de pessoas (43% da população mundial) não contam com serviços adequados de saneamento básico. Diante desses dados, temos a triste constatação de que dez milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas pela água.

Vivemos num mundo em que a água se torna um desafio cada vez maior.

A cada ano, mais 80 milhões de pessoas clamam por seu direito aos recursos hídricos da Terra. Infelizmente, quase todos os 3 bilhões (ou mais) de habitantes que devem ser adicionados à população mundial no próximo meio século nascerão em países que já sofrem de escassez de água.

Já nos dias de hoje, muitas pessoas nesses países carecem do líquido para beber, satisfazer suas necessidades higiênicas e produzir alimentos.

Numa economia mundial cada vez mais integrada, a escassez de água cruza fronteiras, podendo ser citado com exemplo o comércio internacional de grãos, onde são necessárias 1.000 toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, sendo a importação de grãos a maneira mais eficiente para os países com déficit hídrico importarem água.

Calcula-se a exaustão anual dos aqüíferos em 160 bilhões de metros cúbicos ou 160 bilhões de toneladas.

Tomando-se uma base empírica de mil toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, esses 160 bilhões de toneladas de déficit hídrico equivalem a 160 milhões de toneladas de grãos, ou metade da colheita dos Estados Unidos.

Os lençóis freáticos estão hoje caindo nas principais regiões produtoras de alimentos:

  • a planície norte da China;
  • o Punjab na Índia e
  • o sul das Great Plains dos Estados Unidos, que faz do país o maior exportador mundial de grãos.

A extração excessiva é um fenômeno novo, em geral restrito a última metade do século.

Só após o desenvolvimento de bombas poderosas a diesel ou elétricas, tivemos a capacidade de extrair água dos aqüíferos com uma rapidez maior do que sua recarga pela chuva.

Além do crescimento populacional, a urbanização e a industrialização também ampliam a demanda pelo produto. Conforme a população rural, tradicionalmente dependente do poço da aldeia, muda-se para prédios residenciais urbanos com água encanada, o consumo de água residencial pode facilmente triplicar.

A industrialização consome ainda mais água que a urbanização. A afluência (concentração populacional), também, gera demanda adicional, à medida que as pessoas ascendem na cadeia alimentícia e passam a consumir mais carne bovina, suína, aves, ovos e laticínios, consomem mais grãos.

Se os governos dos países carentes de água não adotarem medidas urgentes para estabilizar a população e elevar a produtividade hídrica, a escassez de água em pouco tempo se transformará em falta de alimentos.

Estes governos não podem mais separar a política populacional do abastecimento de água.

Da mesma forma que o mundo voltou-se à elevação da produtividade da terra há meio século, quando as fronteiras agrícolas desapareceram, agora também deve voltar-se à elevação da produtividade hídrica.

O primeiro passo em direção a esse objetivo é eliminar os subsídios da água que incentivam a ineficiência.

O segundo passo é aumentar o preço da água, para refletir seu custo. A mudança para tecnologias, lavouras e formas de proteína animal mais eficientes em termos de economia de água proporciona um imenso potencial para a elevação da produtividade hídrica. Estas mudanças serão mais rápidas se o preço da água for mais representativo que seu valor.

Com esta conscientização cada vez mais crescente, cada nação vem se preparando ao longo do tempo para a valorização e valoração de seus recursos naturais.

Fonte: https://cetesb.sp.gov.br/aguas-interiores/tpos-de-agua/o-problema-da-escasez-de-agua-no-mundo/


De acordo com a ONU, o Brasil tem cerca de 10% das reservas totais de água doce do mundo. Elas estão distribuídas na imensa rede hidrográfica e, em grande quantidade, nas águas subterrâneas. 
O Informe Anual da Agência Nacional de Águas (ANA), de 2018, destaca que a água, no Brasil, é utilizada em maior abundância para irrigação, abastecimento humano e animal, indústria, geração de energia, mineração, aquicultura, navegação, turismo e lazer. Deve-se considerar para uso da água a seguinte classificação: retirada, consumo e retorno. A retirada corresponde ao total de água captada para uso em determinado fim. O retorno corresponde à quantidade de água que retorna, como os esgotos decorrentes do abastecimento humano, e o consumo refere-se à água que não retorna, ou seja, é a diferença entre a retirada e o retorno. Observe, no gráfico acima, as demandas por finalidade no Brasil, em 2017.


ENEM

1. (ENEM) A falta de água doce no Planeta será, possivelmente, um dos mais graves problemas deste século. Prevê-se que, nos próximos vinte anos, a quantidade de água doce disponível para cada habitante será drasticamente reduzida. Por meio de seus diferentes usos e consumos, as atividades humanas interferem no ciclo da água, alterando:

a) a quantidade total, mas não a qualidade da água disponível no Planeta. 
b) a qualidade da água e sua quantidade disponível para o consumo das populações. 
c) a qualidade da água disponível, apenas no subsolo terrestre. d) apenas a disponibilidade de água superficial existente nos rios e lagos. 
e) o regime de chuvas, mas não a quantidade de água disponível no Planeta.



O IMPACTO DA POLUIÇÃO DA ÁGUA

 ACESSE O INFOGRÁFICO


ATIVIDADE

https://nerdprofessor.com.br/exercicios-sobre-a-agua/


domingo, 3 de março de 2024

1º ANO - Conhecimento científico: o método e a ciência

 SOCIOLOGIA

Professor: Amadeu Cardoso
1º ano A/B/C/D

TEMA: Conhecimento científico: o método e a ciência 



O escurecer do céu e a tempestade que o sucede podem ser analisados mediante a aplicação de um método rigoroso de investigação que explicaria as causas e consequências desse fenômeno, as condições em que ele acontece ou sua periodicidade. Ao seguir esse método, o investigador não apenas produzirá um conhecimento válido como também poderá promover sua aplicação útil. No século XX, o conhecimento formal fundamentado na observação e na experimentação, aliado a sua aplicação útil, tornou-se a principal característica do que chamamos ciência.
O conhecimento científico também é resultado da busca constante por explicações sobre os diferentes eventos que acontecem em nosso mundo. No entanto, essas explicações precisam ser construídas mediante rigorosa execução de um método organizado, com base em teorias coerentes e socialmente aceitas.

Ciência:  Estudo sistemático e metódico dos diferentes fenômenos naturais ou sociais. É realizado com base na seleção de um objeto de pesquisa, que é então analisado por meio de um conjunto de técnicas de investigação e procedimentos de verificação aprovados coletivamente por um grupo de profissionais da área do conhecimento em questão. 

Ciência e senso comum: opostos ou complementares?

Desde que a ciência se estabeleceu como o principal meio de conhecimento dos fenômenos naturais e sociais, sua relação com o senso comum tornou-se objeto de debates. De um lado, estão aqueles que a consideram um conhecimento hierarquicamente superior ao senso comum; de outro, os que consideram complementares os dois tipos de conhecimento. 
O sociólogo Pedro Demo defende que a pesquisa é o modo pelo qual se conhece a realidade. A investigação é uma característica fundamental da ciência. Ao comparar o senso comum com a ciência, ele afirma que o primeiro aceita a realidade sem questionamentos nem pesquisas. Isso equivale a afirmar que o Sol se movimenta em torno da Terra porque o vemos nascer no leste e se pôr no oeste. Ao contrário, a ciência é construída com base em pesquisas metodologicamente fundamentadas.

A contribuição da Sociologia para a interpretação da sociedade contemporânea
Diferentemente dos modos de organização da vida social que a precederam, a sociedade contemporânea tem sido capaz de produzir explicações distintas sobre si mesma, graças ao papel exercido pelo conhecimento científico. Se pensar sobre a vida social é uma característica das sociedades humanas, com a Sociologia esse pensar adquire rigor e perspectiva singulares, que se expressam na construção de diferentes métodos de análise sobre o mundo.

A busca por uma interpretação científica da realidade social

O estabelecimento da ciência como principal meio de explicar o mundo influenciou o modo como a realidade social passou a ser interpretada a partir do século XIX. As transformações sociais, políticas e econômicas que culminaram com as revoluções Industrial e Francesa trouxeram para seus contemporâneos novos dilemas a serem enfrentados.
No que se refere à Revolução Industrial, é importante entender que ela alterou profundamente as relações sociais e econômicas vigentes na época. Em lugar da tradicional economia agrária, consolidou-se uma realidade cada vez mais urbanizada, com o aumento da população nas cidades e o rápido desenvolvimento do comércio e da industrialização. Surgiu também uma mão de obra barata e abundante, formada principalmente pelos camponeses que haviam sido expulsos das antigas propriedades comunais, convertidas agora em propriedades privadas. Essa mão de obra foi submetida a condições laborais insalubres e jornadas exaustivas. O trabalho nas fábricas era realizado sem nenhum tipo de proteção contra doenças ou acidentes, sem salário fixo nem garantia de emprego, configurando um novo e terrível quadro social de exploração e desigualdade, cada vez mais afastado dos ideais iluministas que antecederam a sociedade capitalista.

Sociologia: Ciência que tem papel importante na explicação e na interpretação dos fenômenos sociais. É utilizada como base reflexiva em diferentes áreas do conhecimento, da Medicina ao Direito. Esse saber permite traçar um panorama bastante amplo dos problemas da sociedade. Desde 2008, é disciplina obrigatória nas escolas de Educação Básica no Brasil, tendo papel central na formação dos estudantes e na reflexão crítica por parte destes.

No momento em que os problemas da sociedade passaram a ser percebidos como passíveis de solução, ela se tornou objeto de estudo científico. Em seu Curso de filosofia positiva, Augusto Comte foi o primeiro a definir a Sociologia como a ciência que busca a compreensão dos fundamentos das relações sociais. Naquele contexto, ela foi pensada como técnica para encontrar soluções para os problemas da sociedade industrial europeia, principalmente o da desigualdade, que tantos riscos causava à ordem social capitalista e burguesa. 
Ao longo dos últimos dois séculos, as análises da Sociologia possibilitaram não somente a compreensão das questões relativas ao processo de industrialização, mas também de todas as estruturas da sociedade contemporânea, contribuindo para que os indivíduos e as coletividades possam entender-se como parte de estruturas sociais nas quais são plenamente capazes de interferir.

Os métodos de análise sociológica da realidade social

A análise sociológica consolida progressivamente um conjunto de procedimentos (ou métodos) científicos que auxiliam na compreensão da realidade social. Nas Ciências Sociais, esses métodos são os caminhos que levam à explicação dos fenômenos sociais e à construção do conhecimento. Há três grandes vertentes metodológicas na Sociologia, cada qual correspondente a um dos três grandes autores clássicos: o funcionalismo, a sociologia compreensiva e o materialismo histórico e dialético.






A Sociologia e a interpretação da sociedade do século XXI

O movimento de transformação do mundo não para. A política, a economia e as diferentes formas de organização social (família, escola, trabalho) surpreendem pela velocidade com que produzem novas relações ou rearranjam as antigas. Testemunhas de eventos como a queda do muro de Berlim, em 1989, e do progressivo avanço das tecnologias de comunicação (em especial a telefonia celular e a rede mundial de computadores), as últimas décadas podem ser caracterizadas por um conjunto de transformações que alteraram significativamente a estrutura social em todo o planeta. As mudanças pelas quais passam a economia, a cultura, a política e todas as esferas da vida social têm sido cada vez mais objeto de pesquisas, e a ciência, em seus diferentes campos, tem sido convocada a dar conta de novas realidades constituídas de elementos como novas relações de trabalho, novos arranjos políticos e novas representações e de diferentes aspectos da sociabilidade, como a criminalidade violenta e o consumismo.
Uma dessas interpretações reconhece que, tendo como base uma revolução causada pelo avanço das tecnologias da informação, produziu-se uma remodelação cada vez mais rápida das estruturas sociais. Partindo dessa constatação, o sociólogo espanhol Manuel Castells mostra que as economias do mundo estabeleceram um novo processo de interdependência global, que transformou radicalmente as antigas formas de relação entre a economia, o Estado e a sociedade. Segundo Castells, todas as alterações de caráter econômico, cultural e político devem ser analisadas em relação às transformações tecnológicas de informação, pois o fluxo de informações – isto é, o modo pelo qual elas se propagam e estabelecem diferentes redes sociais – altera os padrões de reprodução social, resultando em constantes mudanças no tecido social. A internet, o trabalho flexível (grandes variações nas condições contratuais, flexibilidade de horário e local de trabalho, novas formas de gestão do trabalho e da produção etc.) e as ONGs transnacionais são exemplos dessas mudanças, bem como as formas de relacionamento virtual, entretenimento eletrônico e cooperação internacional. A partir dessas transformações, Castells vê surgir um novo processo social, que ele chamou de sociedade em rede, ou sociedade informacional.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman destaca o fato de vivermos uma época na qual os parâmetros que construíram a modernidade com base nos ideais emancipatórios da Revolução Francesa perderam sua eficácia. As expectativas de construção de um mundo justo e seguro falharam, e a sociedade hoje vive as consequências de uma realidade de incertezas. A falta de estabilidade no emprego e a incapacidade dos Estados de corrigir essa insegurança constituem importante matriz dos problemas sociais da atualidade. Como a política não é mais capaz de centralizar as demandas sociais, os indivíduos são impedidos ou se abstêm de decidir coletivamente sobre a organização da sociedade. Em lugar do poder de decidir sobre as leis que devem seguir (marca da democratização da política moderna como meio de solucionar os problemas sociais de origem econômica), foi criado um espaço vazio que favorece as soluções individuais e enfraquece a vida coletiva nas sociedades atuais. A forma como esse espaço será preenchido é uma questão tanto para a Sociologia quanto para o futuro de cada sociedade.

VAMOS ACESSAR: A Sociologia e a Metodologia Científica ACESSE AQUI



Cumpridas todas essas etapas do método, o pesquisador deve ainda redigir um artigo (o chamado paper) detalhando todo o estudo, a metodologia utilizada e os resultados obtidos. Esse documento será então enviado a uma ou mais revistas científicas para publicação, o que permitirá que seus pares o conheçam e repliquem (repitam) para avaliar e validar suas conclusões. São os mecanismos de autocorreção da ciência. Só então, após esse diálogo e a interação com a comunidade científica, as descobertas do estudo poderão se incorporar ao conjunto de conhecimentos considerados científicos. 

Os objetos contemporâneos estudados pelas Ciências Sociais não se esgotam nesses temas. Podemos partir de uma questão como o desemprego e descobrir temas tão importantes como a divisão internacional do trabalho, as condições de saúde do trabalhador, as políticas de previdência social e habitação popular, a cultura da periferia e suas manifestações artísticas, assim como as características da violência na cidade e a distribuição das ações criminosas entre os bairros. Uma vontade de saber inesgotável e uma insatisfação com conclusões prontas ou apressadas conduzem o cientista social, por meio de diferentes métodos, a construir interpretações que revelam fenômenos inacessíveis ao espectador casual. O valor dessas interpretações pode ser apropriado pelo senso comum, que se torna mais esclarecido, ou ser utilizado por técnicos e políticos para apresentar soluções objetivas para problemas específicos. Elas servem ainda como referência para futuras pesquisas de outros cientistas, para que aprofundem ou mesmo refutem, quando for o caso, seu trabalho. E essa é a razão de ser da prática científica enquanto durar a curiosidade humana. Assim avançam as Ciências Sociais.



Questão do método nas Ciências Humanas e Sociais

Para estudarmos os seres humanos e suas construções ao longo do tempo e do espaço utilizamos metodologias específicas, diferentes das utilizadas pelas Ciências da Natureza. Foi o que alertou Wilhelm Dilthey quando propôs outro tipo de logos ou racionalidade como fundamento para o conjunto de ciências que ele designava então como “ciências do espírito” – e que hoje se denominam Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.
Para Dilthey, as Ciências da Natureza estariam baseadas no determinismo mecanicista e na concepção de que a natureza se manifesta de maneira regular ao longo do tempo, o que permite ao cientista formular explicações a seu respeito, culminando em leis e teorias. Já as Ciências Humanas e Sociais Aplicadas lidam com objetos indeterminados e com o imprevisto de suas ações. Portanto, só restaria ao pesquisador dessa área buscar apreender o conjunto de elementos que se aplicam a um problema para alcançar seus sentidos e sua compreensão, fazendo uso, assim, de outro logos ou outra racionalidade.
Por isso, as Ciências da Natureza e as Ciências Humanas e Socias Aplicadas seriam ontologicamente distintas, segundo Dilthey. As primeiras se constituiriam em atividades explicativas; as últimas, em atividades compreensivas. Foi dessa distinção que, a partir da segunda metade do século XX, surgiram correntes metodológicas que, sem deixar de seguir as etapas tradicionais do método científico experimental, deram destaque aos dois enfoques básicos utilizados atualmente nas Ciências Humanas e Sociais Aplicadas: 
Enfoque quantitativo – empregado quando se tem uma pergunta ou hipótese sobre a realidade, fazendo uso da coleta de dados e da análise estatística (medição e quantificação) para respondê-la ou confirmá-la; 
Enfoque qualitativo – empregado quando não se conhece a realidade e se busca compreendê-la, fazendo uso da linguagem natural (sem medição numérica) na coleta de dados para mapear o contexto e as percepções dos atores sociais.

Os estudos qualitativos das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas seguem um processo indutivo (vão do particular ao geral), gerando perspectivas teóricas a partir da exploração do objeto de estudo, mas não pretendem, com isso, chegar necessariamente a generalizações que atinjam contextos mais amplos ou universais. Entre as técnicas de obtenção de dados estão entrevistas, questionários, grupos focais, observação, registros históricos etc.

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3º ANO _ Os humanos e a linguagem: Linguagem e cultura

 SOCIOLOGIA

Professor: Amadeu Cardoso

Turma: 3º ano A/B/C/D


TEMA: Os humanos e a linguagem:  a Linguagem e cultura

PRIMEIRAS PALAVRAS

Entre 2013 e 2015, o número de haitianos matriculados na rede de educação pública estadual de São Paulo cresceu 13 vezes. A maioria desses alunos fala apenas créole e francês. Além da dificuldade com a língua, eles se depararam com o desafio de toda criança que muda de escola pela primeira vez: fazer novos amigos e se enturmar. Muitas vezes, no entanto, estrangeiros são vítimas de preconceito e violência quando chegam a um país que tem uma tradição cultural diferente da sua. 

Acesse: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/04/02/no-de-imigrantes-cresce-18percent-na-rede-estadual-de-escolas-de-sp.ghtml

A palavra cultura tem diversas origens e usos. Entretanto, para a Sociologia, ela é a base sobre a qual as sociedades humanas constroem seus diferentes modos de vida. É por meio da cultura que buscamos soluções para nossos problemas cotidianos, interpretamos a realidade que nos cerca e produzimos novas formas de interação social. A maneira pela qual estruturamos a economia, nossas formas de organização política, as normas e os valores que orientam nossas ações, todos esses elementos estão presentes na cultura. Por sua vez, a cultura é resultado das nossas ações sociais. As práticas, os saberes e sua aplicação pela coletividade resultam num conjunto de conhecimentos que orientam nossa ação no mundo e nos permitem reconhecer, explicar e construir a realidade social.

Porém, a construção da cultura não ocorre de maneira harmônica e igualitária. Ela é marcada por conflitos e relações desiguais entre os diversos grupos humanos. Por exemplo, quando exaltamos a diversidade cultural brasileira, não podemos nos esquecer de que boa parte da cultura popular sofre preconceito e que os processos históricos que geraram essas expressões culturais foram e são marcados por conflitos nos quais negros, mulheres, nordestinos, indígenas, quilombolas, comunidades ribeirinhas e outras minorias sociais são geralmente considerados cidadãos de segunda classe e suas contribuições para a formação da cultura são relegadas a um plano inferior. Entretanto, a história nos mostra que, diante de interesses políticos e comerciais, as classes dominantes incorporaram essas práticas, saberes e costumes ao padrão cultural estabelecido.

Uma forma de perceber como esse processo de construção da cultura ocorre no cotidiano é pensar sua realidade como estudante. Os conhecimentos, as normas, os valores e as ações pedagógicas com que você interage no espaço escolar são produzidos em contextos históricos específicos e por grupos que têm interesse em sua formação. Muitas vezes, os saberes que você traz para a escola ou sua experiência de vida e sua realidade social são ignorados no processo educativo. Assim, sua formação e a maneira como você constrói suas opiniões e como age em seu dia a dia, os comportamentos com os quais se identifica, entre tantas outras coisas, podem não representar o modo como os grupos dos quais você faz parte representam a realidade.

Isso se relaciona, entre outros aspectos, às ideologias dominantes em nossa sociedade. Cada grupo ou coletividade constrói sua visão de mundo com base em contextos históricos e práticas sociais específicas. Desse processo surgem interpretações e propostas de ação que são difundidas socialmente com a pretensão de se tornarem o padrão geral a ser seguido. Quando isso ocorre, estamos diante do que chamamos ideologia. Nesse sentido, a ideologia pode ser compreendida como o conjunto de visões de mundo produzidas por determinados grupos sociais, propostas como modelos destinados a orientar as práticas de outros grupos sociais ou da sociedade na qual se inserem.

A escola tradicional é um veículo para a difusão da ideologia dominante, e, por isso, há uma desvalorização da cultura popular, que propõe outras formas de pensar e de agir no mundo. Por essa razão, várias práticas e vários saberes que não pertencem ou não interessam às classes dominantes foram historicamente desconsiderados pela escola. 

Cultura e ideologia são conceitos que explicam a relação intrínseca entre pensamento e ação. Diferentes contextos modelam nossas escolhas pessoais. Na atualidade, a expansão das novas tecnologias da informação e da comunicação (TICs) é mais um elemento a interferir em nossas opções de vida. Produzidas com base em uma dinâmica social que envolve diversos interesses econômicos, sociais e políticos, essas tecnologias provocam transformações no modo pelo qual os diferentes atores sociais agem e se percebem no mundo. Por outro lado, o modo como indivíduos e coletividades se apropriam dessas tecnologias pode gerar novas interpretações da realidade, capazes de alterar o sentido e a utilização original planejada por aqueles que incentivaram sua difusão. 

O QUE É CULTURA?

Cultura e vida social 

Perceber os múltiplos significados e usos da cultura é um dos modos de constatar sua importância. Em sua origem latina, cultura deriva de colere, que significa cuidar, cultivar, podendo também adquirir um sentido ligado à saúde fisiológica (cuidar do corpo), à religião (cultuar uma divindade) ou ainda à produção de alimentos (agricultura). O uso do termo é, portanto, dinâmico e adquire sentidos diversos de acordo com o contexto social e histórico. Numa definição sociológica básica, a cultura consiste no conjunto de práticas, saberes, normas e valores de uma coletividade, servindo de fundamento para as relações sociais nela estabelecidas.

Cultura como juízo de valor e como produção social

Para entender esses diversos significados, devemos atentar para algumas formas de utilização do termo presentes em nossa sociedade. A primeira delas é a relação entre cultura e educação. Quando afirmamos que “uma pessoa tem muita cultura”, o termo está sendo utilizado no sentido de educação formal ou acadêmica.

Nesse aspecto, relacionamos cultura a uma hierarquização dos indivíduos e grupos. Essa, porém, é uma utilização típica do senso comum. As Ciências Sociais compreendem diferentes formas de inserção na cultura, tendendo a descartar qualquer hierarquização que resulte na discriminação de pessoas ou grupos sociais.

Tal como acontece com o personagem Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, o habitante das zonas rurais foi muitas vezes apontado como alguém preguiçoso e apático, o que exemplifica um modo preconceituoso de tipificar a cultura sertaneja, apresentada como inferior à cultura urbana. Esse é um exemplo de cultura utilizada como critério de valor. Ainda hoje, muitas manifestações da cultura brasileira são tratadas desse modo, sobretudo quando têm origem em grupos socialmente marginalizados.

Por outro lado, a cultura é pensada como práticas e valores de um grupo social, na sua dimensão material e imaterial, como patrimônio a ser preservado e transmitido. Nesse contexto, não há atribuição de superioridade de uma expressão cultural sobre outra. A ideia de cultura fundamenta a construção de teorias sociais que nos permitem compreender os conflitos culturais e a construção de uma crítica à dominação cultural que historicamente destruiu diversas sociedades e grupos sociais.

Cultura e ideologia 

A análise dos fenômenos sociais de nosso cotidiano nos permite perceber a mútua influência entre cultura e ideologia, seja no modo pelo qual os grupos e as classes sociais expressam, em práticas e saberes, sua compreensão e sua trajetória no mundo, seja na forma pela qual essa trajetória é interpretada e valorizada socialmente.

Em cada momento e contexto sócio-histórico, determinados padrões de comportamento são valorizados e outros tratados como secundários ou até rejeitados. Essa condição depende da relação estabelecida entre os diversos conjuntos de indivíduos no processo de interação social. Tal processo é marcado pelos interesses distintos de cada um desses grupos e pela tentativa das classes dominantes de tornar seus modelos referência para as demais classes.

Desse modo, a relação entre as diversas expressões da cultura, os grupos sociais que as desenvolvem, seu reconhecimento social e a relação dessas manifestações com o modo de produção capitalista representam como, em nossa sociedade, as relações entre cultura e ideologia são construídas e efetivadas nas relações sociais.

Uma manifestação cultural de origem popular como o funk carioca pode ser caracterizada como expressão social de parcela das classes dominadas da sociedade brasileira. Apesar da origem estadunidense, o funk foi ressignificado pelas populações da periferia das metrópoles brasileiras, que dele se apropriaram, e se tornou uma de suas referências na construção da identidade social. 

Por causa dessa origem popular, o funk é frequentemente visto como uma manifestação cultural de menor valor. Aqueles que dançam ou cantam suas músicas sofrem preconceito e discriminação, pois praticam uma arte considerada inadequada para os padrões dominantes. Muitas vezes, o funk também é associado à criminalidade e até mesmo proibido pelas autoridades policiais. ( CRIMINALIZAÇÃO DO FUNK) - FUNK FAZ SUCESSO NO MUNDO

Entretanto, como gera retorno financeiro significativo, em determinados contextos esse tipo de expressão musical é encampado pelos meios de comunicação de massa e se torna uma mercadoria difundida socialmente. O caso do funk mostra como a cultura (práticas, saberes, valores) está sempre articulada com a ideologia (interpretação, compreensão, difusão de ideias) e com os interesses econômicos dominantes.

As diversas faces da cultura 

 A cultura é produção humana e não pode ser hierarquizada, pois não é possível justificar qual seria o padrão cultural a ser tomado como critério de diferenciação. Dizer que determinada prática cultural tem mais valor que outra é afirmar o etnocentrismo. Porém, isso não significa que não possamos relacionar a produção cultural com os grupos que as geraram. Sendo assim, é possível afirmar que a cultura possui diversas faces, que, em grande medida, representam os grupos, sujeitos e contextos dos quais surgiram.

Chamamos cultura erudita as práticas, os costumes e os saberes produzidos pelas elites ou para elas. Normalmente, tais práticas e saberes estão relacionados à produção cultural das classes dominantes, que procura se distinguir do que é produzido pelas outras classes.

 A cultura popular, por sua vez, refere-se às práticas, aos costumes e aos saberes que têm sua origem nas classes dominadas ou populares. Representa o conjunto de manifestações culturais cuja origem remete às experiências cotidianas daqueles que não pertencem às classes dominantes. Se afirmamos que a cultura erudita está ligada à cultura oficial, institucionalizada, devemos entender que a cultura popular expressa o saber não oficial, ou não institucionalizado.

Acesse: ACESSE AQUI URGENTE

Por que o Funk é criminalizado? 

https://www.politize.com.br/criminalizacao-funk/ 


O QUE É CULTURA ERUDITA?

O QUE É CULTURA POPULAR?


 

terça-feira, 12 de junho de 2018

ESCOLA UBIRATAN DINIZ DE AGUIAR

PROFESSOR AMADEU CARDOSO

ATIVIDADES PARA O PLANO DE ESTUDO.
RECUPERAÇÃO DAS NOTAS DO PRIMEIRO PERÍODO.

1º ANO HISTÓRIA.

ENTREGAR AO PROFESSOR AMADEU CARDOSO ATÉ O DIA 22 DE DE JUNHO.

HISTÓRIA, CULTURA, PATRIMÔNIO E TEMPO. PÁGINAS DO LIVRO 12 A 22.

LINK https://www.youtube.com/watch?v=C6ynx8GrYTk

Repondas as questões abaixo

Questão 01 – O que estuda a História? Qual a material prima da História?

Questão 02 – O que são fontes Históricas?

Questão 03 - Como estão divididas as fontes históricas?

Questão 04 – A partir da leitura do texto da página 15, defina:
          a - Cultura.
          b- Patrimônio.
           c- Memória

Questão 05 – A partir do vídeo publicado no Blog Professor Amadeu Cardoso, por que a oralidade é importante para a História?

Questão 06 – Na página 19 de seu libro, análise as informações.
Como os diversos povos passaram a interpretar o tempo?


2º ANO HISTÓRIA M

Site https://www.youtube.com/watch?v=sGFROOSJcx4

CONTEÚDO - A AMÉRICA PORTUGUESA - PÁGINAS 52 A 65.

CONTEÚDO - A AMÉRICA PORTUGUESA - PÁGINAS 52 A 65.

VISITAR O SITE: https://www.youtube.com/watch?v=sGFROOSJcx4

QUESTÃO 01 – Os primeiros contatos entre brancos e índios aconteceu de forma diversas. Uma das formas desses contatos foi marcado pela prática do escambo. O que era o escambo? Como isso passou a acontecer?

Questão 02 – Como Portugal passou a organizar a administração colonial?

Questão 03 – O que eram as capitanias Hereditárias? Como estava organizado esse sistema? Por que ele fracassou, entrou em crise?

Questão 04 – O que eram as Sesmarias?

Questão 05 – Na página 58 de seu livro, a partir da leitura como podemos dizer o que eram as Câmaras Municipais? Quem podia ocupar o cargo de vereadores?

Questão 06 – Como os portugueses passaram a colonizar a economia colonial? Páginas 59 do livro.

Questão 07 – Qual a mão de obra utilizada na produção da cana de açúcar?

Questão 08 – Como estava organizada a Sociedade colonial açucareira?



1º ano  - SOCIOLOGIA

SITE: https://www.youtube.com/watch?v=n7uunPOlvLM

CONTEÚDO: PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO: UMA CARACTERISTICA FUNDAMENTAL DAS SOCIEDADES HUMANAS. PÁGINAS16 A 27.


Repondas as questões abaixo

QUESTÕES 01– Quais as diferentes formas de Conhecimento que existe? Defina as formas de conhecimentos.

QUESTÕES 02 – O que é Conhecimento?

Questão 03 – Cite exemplos das formas de conhecimento que existe.

Questão 04 – Quais Revoluções contribuiram para o surgimento da Sociologia?

Questão 05 – Quais as mudanças que a Revolução Francesa proporcionou para o mundo moderno?


Questão 06 – Quais as mudanças que a Revolução Industrial proporcionou para o mundo moderno?


2º ANO SOCIOLOGIA

CONTEÚDO: Poder, política e Estado. Páginas 136 a 145.

Questão 01 – De acordó com o sociológo Max Weber o que é Poder?

Questão 02 – Quais os espaços que existe relação de Poder?

Questão 03 – Como se establece a relação de poder no espaço familiar?

Questão 04 – Analisisando em seu livro nas páginas 141 e 142, quais as formas de exercicio de poder? Explique cada uma das formas?

Questão 05 – Segundo Weber o poder pode ser legitimo ou não. Explique as formas legitimas de poder? Página 142 do livro.
Questão 06 – Segundo Weber, quais as três formas de dominação? Explique cada uma das formas.

Questão 07 – Analisando o texto da página 144, qual o conceito de Politica na Grécia antiga e o outro a partir das Revoluções Liberais segundo Weber?


3º ANO SOCIOLOGIA

CONTEÚDO:SOCIOLOGIA EM DESENVOLVIMENTO/ CAPITALISMO/TEORIA DA DEPENDÊNCIA/ POLITICA NEOLIBERAL.



PAGINAS:260, 261,262, 263,271,272,273.

Questão 01 – O que podemos definir por Capitalismo?
Questão 02 – Quaias as caractetisticas da economía Capitalista?
Questão 03 – Quando podemos dizer que a economía Capitalista se encontra em crise?
Questão 04 – Quaias as propostas utilizadas pelos Páises para sair das crises do Capitalismo?
Questão 05 – A partir da leitura da página 271, como podemos definir Imperialismo?
Questão 06 – Explique a Teoria da Dependência Economica defendida por alguns Sociólogos no final do século XX.
Questão 06 – O que explica a Dependência dos países da América Latina aos Estados Unidos da América?